TAP Portugal  
 
 
 
 
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Relatórios Anuais

A TAP tem como foco o serviço de Transporte Aéreo e atividades afins, com o objetivo constante de retorno para os seus investidores e a liderança no nicho de mercado em que atua.

     
 

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Relatório Anual de 2012
 
Relatório do Governo Societário e de Sustentabilidade 2012
 

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Relatório do Governo Societário e de Sustentabilidade 2011
 

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Relatório Anual de 2009
 
Relatório do Governo Societário e de Sustentabilidade 2009
 

Entrevista com Fernando Pinto, Presidente do Conselho de Administração Executivo

A TAP obteve em 2010 o melhor resultado de sempre, atingindo também o recorde de passageiros transportados – mais de 9 milhões – e ainda uma taxa de ocupação dos voos de 74,5%, mais 6% do que no ano anterior. O balanço é francamente positivo?

Estes números significam uma aposta cor­reta da TAP na manutenção da estratégia de crescimento, num ano em que as econo­mias europeias estavam a arrefecer e Portugal começava a demonstrar algumas fragilidades. Apesar disso, apostámos em novos destinos (Marraquexe e Argel) e aumentámos a oferta em algumas rotas, numa política de conti­nuidade sempre dentro da perspetiva de crescimento. De qualquer forma, procurámos ter sempre um crescimento cuidadoso, para que pudéssemos atingir um melhor aproveitamento dos assentos oferecidos, competindo melhor também no preço, para fazer face a um mercado cada vez mais difícil. A estratégia foi acertada, o que é demonstrado por estes bons resulta­dos. Quero referir que a atividade em 2010 não foi positiva só em termos de TAP, S.A., a maioria das empresas do Grupo contribuíram positivamente. Destaco que, com estes resultados, a TAP, S.A. voltou a registar uma situação líquida positiva e isso é muito importante, ainda para mais num ano em que se prepara para um pro­cesso de privatização.

A taxa de ocupação de 74,5% está já den­tro da média da AEA. Pode ainda ser melhorada?

Já estamos muito perto do limite que o mer­cado português e o hub de Lisboa permitem atingir. Outras empresas na Europa conseguem atingir taxas de ocupação próximas dos 80 por cento, mas estão inseridas em mercados com outro nível de densidade, com taxas de ocupa­ção semelhantes tanto na ida, como na volta. As nossas não são tão equilibradas, existe essa diferença. É possível melhorar um pouco mais, mas não tanto como gostaríamos. Mantemos a ideia de que este ano vai ser possível continuar a crescer sem aumentar a frota, antes com a sua melhor utilização e um melhor aproveitamento do espaço.

Os combustíveis foram responsáveis por uma fatura de 523 milhões de euros, mais 45% do que em 2009. Ainda assim, os resulta­dos foram francamente melhores…

Exatamente porque conseguimos um melhor aproveitamento dos assentos oferecidos. Tivemos a possibilidade de, com a mesma oferta, termos uma quantidade maior de passageiros nos nossos aviões, e isso permitiu-nos também ter um con­sumo de combustível por passageiro mais diluído. Investimos também na substituição de aviões antigos por novos, mais eficientes. Os seis novos A320 trouxeram um ganho de eficiência de oito por cento e mantivemos o nosso programa de Fuel Conservation, que nos tem trazido excelentes resultados e que tem sido fundamental. Basicamente, apesar de um aumento da fatura de combustível, registámos ganhos de eficiência, com melhor planeamento das rotas e da oferta.

Outros fatores contribuíram para que 2010 pudesse ter sido um “ano negro”, como a nuvem de cinzas vulcânicas, que pro­vocou o maior bloqueio da aviação comercial na Europa desde a II Guerra Mundial. Como é que a TAP lidou e conseguiu ultrapassar esse fator?

Foi extremamente desgastante. No início do problema, a nuvem não teve influência direta no espaço aéreo de Portugal, mas sim na Europa Central. Mas como a maior parte do nosso tráfego é de ligação, nós não recebíamos alimentação para os nossos voos e não podíamos tam­bém distribuir os nossos passageiros que vinham do longo curso para os destinos finais. Numa segunda “vaga”, a nuvem já esteve sobre Portugal e tivemos prejuízos maio­res e dificuldades acrescidas. Toda essa situação causou enormes prejuízos, quase mil voos foram cancelados, mas conseguimos gerir muito bem a comunicação e a relação com os nossos passageiros. Recorremos a canais modernos e atuais, utilizámos o Facebook e outras redes sociais para conversar com os clientes. Foi um momento preocupante, em que as empresas de transporte aéreo perderam centenas de milhões de euros, mas diria que na TAP nos saímos muito bem em termos de relacionamento com o cliente. Recordo que, em 2010, verificaram-se ainda outras perturbações à operação, como greves dos controladores aéreos espanhóis e france­ses, nevões na Europa e depois nos Estados Unidos… Apesar de tudo isso, a TAP conseguiu ultrapassar todas as contrariedades. Essas situações provocaram um prejuízo grande mas, pela boa imagem que conseguimos assegurar, foi possível recuperarmos.

Como referiu, a TAP conseguiu encon­trar novos canais para comunicar com os clientes. Em situações como o vul­cão há sempre rutura nos canais tradicionais. Como assistiu a esse processo e de que forma se envolveu?

Desenvolveu-se tudo muito rapi­damente. O Facebook surgiu inicialmente como canal de pro­moção, mas ganhámos muitos “fãs” rapidamente e iniciámos com eles um processo de comu­nicação muito ágil e eficaz. Hoje, temos mais de 140 mil fãs no Facebook, a comunicação é muito diferente, está montado dentro da Empresa um novo processo para tornar possível uma resposta rápida a qualquer solicitação, é um pro­cesso que trouxe agilidade à Empresa e uma maior proximidade com o cliente. A TAP, mesmo a nível internacional, foi pioneira na utilização das redes sociais, é algo extremamente importante para nós, somos uma Empresa mais jovem.

Nas novas tecnologias, devo ainda refe­rir que, em 2010, a TAP sofreu um grande processo de transformação para a adoção de um novo sistema de reservas com muitas novas funcionalidades, que utiliza uma plata­forma comum com a STAR Alliance, potencia as vendas, confere mais facilidade de uso…

A Condé Nast Traveler distinguiu a TAP como melhor companhia aérea do mundo em 2010 e o World Travel Award para a “Companhia Aérea Líder Mundial para a América do Sul” voltou a ser ganho pela TAP. Estes prémios continuam a ter significado?

São muito importantes, é isso que nós perseguimos o tempo todo, termos clientes satisfeitos e que esco­lham a TAP como a sua preferida. Os clientes acabam por ser, também, parceiros da Empresa e nós precisa­mos de ir mais longe ainda, temos de estar sempre entre as melhores companhias do mundo em qualidade do ser­viço, para nos destacarmos. Só assim continuamos a ter uma participação importante num mercado cada vez mais concorrencial.

Passando ao Grupo TAP, a Manutenção & Engenharia Brasil (TAP M&E Brasil) não atingiu ainda, em 2010, o desejado equilíbrio, apesar de alguns dados positivos, como a obten­ção da qualificação de Centro de Serviços Autorizados pela Embraer. Algo está ainda a falhar na TAP M&E Brasil?

Sempre afirmámos que a TAP M&E Brasil é um investimento estratégico de longo prazo e sempre fomos muito cuidadosos relativa­mente aos resultados previstos. 2010 foi um ano de muitas mudanças para a empresa, não foi apenas o importante reconhecimento pela Embraer, mas todo um processo de adequa­ção, principalmente adotando um conjunto de procedimentos padrão seguidos pela TAP M&E Portugal e toda uma revolução em ter­mos estruturais. Prosseguimos o programa de redução de custos e foi feito um trabalho muito grande em termos de garantia da qualidade dos serviços prestados, procurando com isso conso­lidar uma base sólida de clientes, que ficassem ligados à empresa por muitos anos. Esse foi o principal investimento, que se tem verificado e vai continuar a verificar-se, e isso vai viabi­lizar a empresa. Não tenho dúvidas de que os resultados de 2011 já serão bem melhores e em 2012 melhores ainda, é um processo de cresci­mento e amadurecimento, a empresa está cada vez melhor. O resultado ainda não o demons­tra, regista também perdas extraordinárias, mas chegará a um equilíbrio de exploração. Hoje, já temos um grande orgulho na qualidade do serviço que a empresa presta, no cumprimento de prazos, satisfação do cliente… É um grande investimento e nunca podemos esquecer que a grande razão para que seja feito passa pelas nossas limitações de crescimento aqui em Lisboa. Sem a TAP M&E Brasil, estaríamos a rejeitar novos clientes. Hoje, trazemos clientes de maior valor agregado para a TAP Portugal, com maiores margens, e levamos alguns serviços da TAP para o Brasil, até pelas vantagens em ter­mos de custo. Podemos potenciar ainda melhor essas sinergias.

E quanto à Groundforce?

A Groundforce vem melhorando muito, desde logo na qualidade do serviço prestado, tanto na área de bagagens, em que a TAP se colocou finalmente na média europeia em termos de rede geral (na competição entre hubs, ficamos acima da média). Em termos de pontualidade, a TAP hoje está melhor que a média Europeia. Entrámos no caminho certo. Em termos de eficiência e custos, 2010 trouxe melhores resul­tados de exploração. O encerramento da escala de Faro, verificado no final do ano, só se reflec­tiu integralmente em termos de custos no ano de 2010. O equilíbrio que essa medida traz às contas da empresa só vai ter efeitos em 2011. Preparámos o processo de venda da Groundforce a que estamos obrigados e os fatores que referi valorizam a empresa como um todo.

Como viu o mercado em 2010?

Houve estabilidade no mercado português. A concorrência é cada vez mais agressiva, mas isso é bom e faz-nos melhorar, desde que exis­tam regras claras e transparentes, o que por vezes não acontece.

Disse recentemente que a TAP estava no momento ideal para ser privatizada. O ano de 2010 foi determinante para isso?

Se olhar em termos históricos, a Empresa vem sempre melhorando em todos os níveis, o hub de Lisboa tornou-se uma realidade e revelou-se extremamente competitivo, servindo a Europa, a América do Sul e África. A TAP ocupa uma posição extremamente importante no Atlântico Sul e África. Somos o maior transportador da Europa para o Brasil e também muito impor­tantes para África. Isso faz com que o nosso posicionamento em termos de Europa seja alta­mente estratégico. Quem queira aliar-se à TAP estará a aliar-se com um dos mais importantes players do mercado nestes enormes “nichos”. É também de destacar que a TAP está bem orga­nizada e já é uma das empresas mais eficientes da Europa, quando avaliada por vários indica­dores. A TAP é uma das quatro companhias de rede mais eficientes da Europa. Tudo isso faz a TAP muito apetecível.

Que mensagem quer deixar aos diver­sos stakeholders?

Os nossos clientes são a nossa razão de existir e já são mais de 9 milhões. Quero agradecer-lhes a preferência e a confiança em nós depositada. Temos trabalhado muito para melhorar cada vez mais a qualidade do serviço e tenho de agradecer aos trabalhadores pela dedicação e pela procura permanente do aperfeiçoa­mento. Por fim, toda a Empresa procurou acrescentar valor para o acionista, ao qual agradeço todo o apoio manifestado. Deixo ainda um especial agradecimento ao Conselho Geral e de Supervisão da TAP, na pessoa do seu Presidente, Professor Pinto Barbosa, que muito tem contribuído e ajudado para fazermos melhor.